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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Carta para um estranho

Olá gente, perdão por estes dias. Estou organizando as mudanças do blog, trabalhando, estudando... Enfim, tá corrido e tá bom, é o que importa! Vamos ao texto???? Espero que gostem.

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Carta para um estranho
Como uma mentira mal contada eu desejei você. Calma, eu posso explicar. Parecia mentira querer você. Logo você que era TUDO de diferente de mim. Você que não chegava nem perto do "modelo" de beleza e comportamento que eu "admirava". Eu gosto dos altos, mas você é alto demais. Gosto dos sérios, mas sua arrogância supera qualquer seriedade. Não tenho problemas com signos, mas você é virginiano e isso já é pedir demais.
Você não é gentil como os príncipes dos contos de fada que eu cresci lendo. Nem faz o estilho "olhos brilhantes" ao ver uma mulher. Você é até grosseiro, se comparado aos príncipes. Assim, como desejar logo você? Não combinava com meus padrões. Meu radar de seleção natural em qualquer avaliação "meia-boca" eliminaria você na primeira análise. Você não é daqueles que se sonha nas rodas de meninas durante a adolescência. Tenha absoluta certeza disso, você não é.
Mas a vida... você sabe, né??? A vida prega peças. Brinca com os roteiros que a gente traça, mesmo se tudo for feito bem direitinho. A vida tem uma ciranda descompassada. Ela não segue o cronograma que esboçamos. Ela é sapeca feito criança e escolhe os caminhos mais difíceis porque geralmente soam mais atraentes...
Essa é a palavra _ atraente. Quando vi você me olhar pela primeira vez eu pensei _ desengonçado, gordo, muito alto e com cabelo despenteado, mas que olhar! A maneira como você me olha deveria ser patenteada. Sim, eu posso dizer que é a maneira como você ME OLHA porque eu já vi olhares seus pra outras mulheres. Uns de desejo, outros de carinho, alguns que eu não gostei, mas nunca nehum como os que você lança pra mim. Ninguém ganha esse olhar. Esse olhar, que me prendeu a você é só meu.
De certa forma é bom porque é tudo o que eu tive de você até hoje. Entretanto, por outro lado é muito ruim, porque seu olhar me fez querer você. Ah, não se alegre. Não é carnal. Eu não quis um beijo, ou um abraço. Eu quis conhecer você. Conversar com você. Poder olhar você, sem que fosse sempre de modo disfarçado. Quis muito poder olhar você e até que não seria ruim receber uma ligação sua, de forma despretenciosa.
Justamente você. Não era pra ser você. Era pra ser o David Beckham; o Colin Firth, sei lá quem mais, menos você. Você foi a maior peça que a vida me pregou. Tive que vencer meu orgulho e baixar minha guarda pra poder me aproximar de você. A garota mimada teve que deixar sua redoma cor-de-rosa, porque o príncipe não iria me resgatar na torre. Eu tive de descer sozinha as escadas, me pôr diante de você e dizer para que não tivesse medo porque nosso querer era o mesmo.
Lindo conto de fadas!
Sem castelo, sem cavalo branco (sempre odiei a parte do cavalo branco e da carruagem, mas....), sem canções (amava as canções), com muitas bruxas (as bruxas vieram, né?!?!?) e sem fada madrinha (essa eu preciso até hoje). Não faz qualquer sentido que meu coração só lembre de você. É quase um castigo. Pra onde foram o encanto, a magia, o mistério, a surpresa do amor? Se todos os homens fossem como você não haveria nem branca de neve. Então que há nesse seu olhar? Que mundo inteiro eu encontro nele a ponto de me perder em você?
Por que você lança esse olhar só pra mim? Que mérito há nesse privilégio tão raro e tão cheio de silêncio? Porque a roda ao girar sempre para em você?
Se por um minuto você conseguir liberar seus fantasmas, pegue minhas perguntas, minhas infinitas interrogações sobre você e faça, de uma vez por todas, nossa história, movida pelas falas retidas em nossos olhares por todos esses anos, real.
Pâmela Rodrigues
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Tenho algumas "rápidas":
1. O quebra-cabeça gerou polêmica (rs!). Tem gente que ama, tem gente que se assuta, tem gente que não gosta. Mas todo mundo deu muita força pra eu continuar montando e conseguir enquadrar. Obrigada, pessoal! Olha, eu segui a lógica de montar toda a borda e o ritmo começou a acelerar. Não está tão difícil quanto parecia quando a embalagem das pecinhas ainda estava fechada! Em breve posto novas fotos da evolução aqui pra você. Mas deixo uma imagem da borda já prontinha.


2. Ontem, terça-feira, dia 8 de janeiro eu voltei a treinar na academia. Neste post aqui, disse que voltaria na sexta, dia 04. Mas não rolou! Na segunda aconteceu um imprevisto com minha vizinha, não fui também e, ontem comecei. Preciso nem falar, né?!?!? Dores, dores e dores. Mas até que eu gostei! Hoje fui de novo. Exercícios para o braço são o fim do mundo, mas vamos lá, rumo à redução de medidas!!!!

3. Meninas, obrigada pelos selos e memes. Postarei todos que recebi, aqui em breve!!!!

Beijosss, nos vemos na próxima!

Pâmela Rodrigues

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A rotina pela qual vale viver

Quarta-feira é dia de texto! Pessoal, ando escrevendo de novo. O blog me animou. Mas pra este texto eu escrevi demais e ainda não terminei gente (Ainnnnn....). Então, picotei em pedacinhos. Pelos comentários vejo se gostaram e se vale continuar publicando aqui no blog os textos maiores, em partes. 

Quer ler os outros textos já publicados? Fácil! Clique aqui e aqui!!!!

Preciso agradecer pelo carinho. Não esperava que em tão pouco tempo (o blog tem 1 mês e meio) receberia tantas visitas e um retorno tão bacana. Beijossss! Agradeço também aos que já curtiram a fanpage do blog (Clica aqui pra ver!!!!). Ah, dia 28 a galeria do leitor vai ser postada, se quiserem enviar suas fotos ainda há tempo (quer saber como? clicaaa!!!).

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O Rio de Janeiro não gosta de chuva. Eu não gosto do meu trabalho. Todos os dias vejo a mesma gente (a maioria insatisfeita), o mesmo chefe (que me deixa tensa com pedidos apressados de textos sobre o mesmo assunto) e a mesma demanda monótona, quase inerte, de trabalho chato. Tudo anda todo dia como andou no dia anterior e andará no dia seguinte. Mas, me pagam bem. Não o suficiente para enriquecer, mas para ter uma vida que não poderia manter sem o que recebo. Pra gerar algum tipo de diferença adotei a estratégia de almoçar em lugares diferentes. Cada dia conheço um restaurante. Variar os pratos ajuda a não enlouquecer com a mesmice laboral. Em dias de chuva, principalmente em dias de tempestade, a aventura rumo ao menu desconhecido fica mais complicada. Ainda assim não almoço no trabalho. Com sol, chuva ou neve, sempre preciso ter o intervalo de liberdade daquele lugar.


Naquela segunda-feira chovia tanto que considerei repetir o restaurante. Não fosse a lembrança do italiano recém inaugurado, quebraria uma tradição com mais de 2 anos. Detonei o cabelo, mas consegui mesa confortável em uma das "cantinas" mais bem decoradas que já tinha visto. Pensando em enriquecer pedi o nhoque. Era dia 29. Lembrei da simpatia, coloquei uma nota novíssima de R$50,00 sob o prato e segui a recomendação feita pelo garçom para o vinho, que estava fabuloso! Durante a refeição imaginei tudo que poderia comprar com minha fortuna. Algo dizia que minha riqueza estava próxima e o astral era o melhor possível. Terminei e pedi a conta. O garçom, discretamente, me entregou outro papel que dizia _ "Nunca vi alguém tão feliz almoçando em uma segunda-feira chuvosa. Para mim, foi um belo presente. Obrigado!". Pronto! Um desconhecido pagou minha conta, foi embora e o garçom morreria mas não contaria a identidade do poeta de guardanapo. Pelo resto do dia fui torturada por aquela curiosidade massacrante.

A terça amanheceu nublada e, pela primeira vez, quebrei a tradição e voltei ao italiano. Pedi o vinho mais caro e uma bela lasanha. Comi rápido. Parecia um tigre faminto em tocaia pela caça, percorrendo todo o restaurante com os olhos. Ao final, recebi outra falsa conta dizendo _ "Hoje o humor não está dos melhores, mas seu charme é imbatível. Está linda! PS.: Excelente escolha de vinho!". O desespero começou a bater. Sou a pessoa mais observadora do mundo. Nada me escapa. Olhei cada mesa e cada rosto e ninguém parecia ou demonstrava ser meu pagador de contas oficial. Vi todo mundo. A maioria estava acompanhado. Até o cara altão e gordinho lá do trabalho almoçou no italiano aquele dia. Eu quis matar aquele garçom.

Quarta-feira o sol abriu. Pedi espaguete e vinho branco. Antes da conta, tentei subornar o garçom. Sem sucesso. Desta vez, meu bilhete chegou mais ácido _ "Curta o mistério e não tente trapacear. Hoje escolhemos o mesmo prato e o mesmo vinho.". Pensei que pudesse ser palhaçada de gente sem o que fazer, mas minha intuição não concordou com esta hipótese. Ela nunca falha. Agora o garçom tinha uma inimiga vitalícia. Não aceitou meu dinheiro, fez a fofoca em tempo recorde e ainda ganhei uma dose de ironia no recado. Quinta-feira fervilhante. O Rio de Janeiro decidiu que alcançaria a temperatura do inferno e eu que engordaria 30kg, comendo massa todos os dias. Cheguei com sangue nos olhos, pedi nhoque, comi, paguei direto ao gerente e deixei meu recado com o garçom pombo correio _ "Sem tempo para mistérios e sem clima para massas. Game Over!".

Sexta-feira belíssima. De volta a minha rotina de descobertas culinárias escolhi o Árabe. Mergulhei na variedade de saladas e pedi suco sem açúcar. Na hora de pagar, perguntei ao rapaz do caixa se havia algum recado para mim. Com cara de "poucos amigos" respondeu negativamente. Voltei ao trabalho com vontade de ir ao italiano perguntar se havia alguma resposta para minha grosseria. É impressionante como alguém pode passar a vida toda pedindo e esperando por algo que não está pronto para receber. É como se o fiel não estivesse preparado para encontrar seu milagre. Lá estava eu, em pleno pôr do sol, independente, reclamona, arrogante, linda e solitária. Segundo o padrão que havia estipulado para mim, nada era bom o suficiente para me alcançar. Estava com quase tudo que queria, faltavam apenas o amor e a riqueza. Nunca mais encontraria o escritor generoso de frases curtas do restaurante italiano. A mim então, restava perseguir a riqueza...

(Continua...)

Pâmela Rodrigues

*Imagem retirada de: http://amamosamar.blogspot.com.br/2011/03/amor-nao-correspondido.html

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Umo novo Olhar


Quarta-feira agora vai ser dia de texto! Pessoal, quando publiquei um de meus textos aqui, não imaginava que seria tão bem recepcionado. Como eu acumulo informações sobre os desejos pra poder postar detalhes pra vocês, vou dedicar algumas quartas para deixar meus antigos escritos aqui. Espero que gostem. 

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Um novo olhar
Quarta-feira. Meio da semana. E eu me lembrei de você. Na verdade hoje é um dia atípico porque lembrei mesmo de estar há quase 1 (uma) semana sem pensar em você. Pode ser a pressa, pode ser a correria que eu enfrento todo dia, pode ser o edital pra entrega do projeto de mestrado estar prestes a vencer, mas principalmente acredito que seja um desinteresse de você brotando lentamente, como se algo tóxico que me prendesse começasse a perder a graça.

Eu hoje consigo me lembrar de você, sem querer você. Ou pior, sem querer que você me queira. Não resisti e fui olhar sua foto. Você não pode acreditar a sensação maravilhosa que é olhar pra esses seus olhos pequenos e não achá-los envolventes. Não querer tocar seus largos ombros, nem mesmo querer que você me olhe.

Poder olhar sua foto sem ter reações diagnosticáveis como "dor de cotovelo da grossa" é como um milagre! Veja bem, não é que você não tenha mais importância, você sempre terá. Eu não seria pretensiosa de querer apagar você. Eu não posso e não quero fazer isso. Mas antes havia sofrimento, sentia um amargo na boca e uma vontade enlouquecedora de parar em frente a você e dizer _ Olha, eu te amo, mesmo desejando de um jeito absurdo não querer amar!

Hoje, eu sinto um certo alívio. E até uma curiosidade meio mórbida de querer saber para onde foi aquilo tudo que ficou em mim amargando por tanto tempo. Eu posso ver você e permanecer tranquila. E isso pode ser assustador no momento de constatação porque até o que faz mal vicia. Por uns minutos eu pensei que talvez necessitasse gostar de você. Como se isso fosse muito importante para a vida seguir em frente. Não gostar de você traz o vazio do "e agora?". E agora? O que se faz quando não se sofre por gostar de alguém que não gosta da gente???

Acabo de fazer outra grande constatação _ escrevi um parágrafo inteiro mencionando naturalmente meu antigo sentimento por você como "gostar" e não como "amar". É, pode ser mais real do que imagino. Eu não tenho mais espaço para você em meu coração. Então seu posto de suposta alma gêmea passa a ficar vago a partir de agora. E eu vou pendurar sua foto na ala das lembranças que me fizeram melhor. Isso mesmo, você me fez melhor sem nunca ter encostado um dedo em mim. Me fez amadurecer e crescer sem que nunca tivéssemos almoçado juntos. Então obrigada.

Obrigada por cada pensamento que eu nunca realizei ao seu lado e obrigada por cada "eu te amo" nunca dito. Obrigada por nunca ter me afagado em seus vastos ombros e nunca ter permitido que eu repousasse confortavelmente no vão de suas costas (é bom dormir nas costas de quem se ama). Obrigada por nunca ter me levado ao cinema (eu amo cinema) e por nunca ter me deixado roubar batata frita de seu prato (outra mania que eu reconheço, nem todo mundo acha legal. Mas, quando se possui intimidade, pegar comida do prato do outro é tão legal...). Enfim, obrigada mesmo. Eu nem sei como vou poder agradecer o fato de nunca termos dividido a mesma rede (rede é bom demais), de nunca termos tomado sorvete juntos e nunca termos visto um filme bem velho embaixo do edredom em um domingo de frio, daqueles feitos especialmente pra namorados que se amam. Eu preciso agradecer a você tudo que eu quis e nós nunca fizemos juntos. Confesso, eu sou do tipo "brega" pra relacionamento. Não preciso de muita coisa pra ser feliz. Eu tenho minhas manias e também meus mimos (filho único se não for mimado perde a graça), também tenho umas frescuras (sério?), mas no quesito relacionamento me basta o outro e muito carinho.... Ah, eu esqueci de agradecer por você nunca ter sido carinhoso comigo. Isso realmente poderia ter aprisionado meu coração por uns 40 anos. Obrigada por nunca termos nos aproximado de verdade.

Obrigada por ter se limitado a me olhar em silêncio. Eu me lembro do dia, o único dia, em que conversamos e eu, como quem decide e age, falei sem pensar sobre minha necessidade reprimida por anos em ter seu olhar. Em querer seu olhar. E você, educadamente me respondeu com a verdade. Amarguei por semanas aquela resposta reveladora, aquela sinceridade dolorida que me causou espanto ao saber que ao longe e em silêncio você me deu tudo o que eu queria naquela época. Você me viu, me admirou, me reparou e se calou. Só você sabe os seus motivos e eu nunca me interessei pelo seu silêncio. Mas a revelação de sua omissão reprimiu meu querer, meu sonho de conto de fadas onde você não cabe mais. Ao menos não depois de tanta espera. Seu tempo, nosso tempo (mesmo nunca havendo "nós") passou. Mas eu reitero meu agradecimento.

Olhei sua foto novamente, pra me testar e saber se minha libertação do sonho de você era repentina. Ela é real, eu estou liberta. Não sinto mais vontade de pegar sua mão. Eu tive vontade de fazer isso por tanto tempo... mas agora eu não tenho mais. E agora sua foto ocupa o lugar de alguém que passou, mas que possui minha eterna gratidão. Não posso deixar de pedir desculpa. Ações e omissões são vias de mão dupla. E eu também fui omissa por todo o tempo que senti sozinha. O silêncio não foi só seu, foi nosso. Vivenciamos enquanto deu e ele durou bastante. Me desculpe por agir feito idiota, eu sempre enxerguei você.

Agora que meu coração não registra mais o som meio rouco e muito prepotente da sua voz como um sonho, me resta dizer adeus a você que eu nunca tive e a quem nunca demonstrei o que realmente sou. Não tenho arrependimento, estranhamente tenho um alívio. O alívio da libertação. Não pensei em você por tanto tempo por teimosia, mas sim enquanto durou meu estoque de "suposto amor". É muito louco ter alguém no universo da pretensão, tem dia que doi, tem dia que enche a paciência, tem dia que deprime, mas um dia se esgota. Um dia, a vontade de direcionar todo o carinho do mundo a um único ser humano vai embora. E a gente se pergunta do que valeu tudo aquilo...

Eu não tenho a resposta, eu não sei se valeu pra alguma coisa, mas o coração deve saber... Afinal, foi ele quem quis ficar olhando pra você escondido e foi ele quem se libertou de todas as possibilidades de felicidade que você só representou. Então, o coração que fique com a moral da história e eu, sem a carga de amargura e pretensão, como quem guarda uma medalha de honra pela superação, ficarei com a foto, a sua foto.

Pâmela Rodrigues

*Foto retirada de: http://www.donagiraffa.com/2011/07/amor-nao-correspondido-o-que-fazer.html

sábado, 24 de novembro de 2012

Minha Pequena é decidida!

**** Post diferente! ****

Minha Pequena é decidida!

Outro dia li em algum lugar a Malu Magalhães chamando o Camelo de "broto". Pareceu tão estranho, mas depois eu bem que entendi... O "broto" dela tinha um carinho, uma intimidade, tinha uma segurança gostosa de gente que achou um porto seguro, com sol saudável de manhã e vento fresquinho da tarde. Eu pensei naquele "broto" pra minha vida. Não o Camelo, claro. Mas o meu "broto". 

Quando você encontra alguém que coloca as mãos entre os seus cabelos e de um jeito fisicamente inexplicável consegue aconchegar você no peito, bem de leve, é melhor que nunca mais você perca esse alguém. Parece ridículo, eu sei, mas quase ninguém sabe, de verdade, a arte de dar conforto a uma garota entre os braços. Alguns sabem dar calor, possuem braços fortes e carinhosos. Mas eu falo de um conforto, um ninho, um refúgio, um lugar diferente e melhor que tudo.

Tem gente que sabe mesmo como pegar as mãos de alguém. E nem importa se é sábado, domingo, segunda, se o horário do trabalho já passou de estourado... De repente tem uma mão na sua mão, que pode te levar pra onde quiser. Quando se encontra alguém assim não existe porque divagar sobre "entrega". Basta ir, junto com aquele abraço, aquela mão. Apenas porque não existe coisa diferente a ser feita.

Deve ser uma tristeza profunda passar por essa vida e não saber o que é vestir um moletom velho, confortável, meio desbotado, prender os cabelos sem conexão, colocar chinelos gastos, não usar maquiagem, aparecer no meio da sala com 2 DVDs nas mãos, questionar o "broto" sobre qual deve ser o escolhido do domingo e ouvir dele _ com um baita sorrisão no rosto _ que pode ser qualquer um porque, com você, linda daquele jeito, ele quer ver os 2 e passar o domingo ali, boiando em frente a TV, com você repousada sobre ele, dividindo fatias de pizza muito calóricas, que não vão engordar nada, porque o fim do domingo será de muito amor.

O amor será com o “broto” que ofereceu um sorriso verdadeiro pra você, sem maquiagem, sem salto, sem roupa colada, e te fez perceber que pra ele você é bonita até de moletom desbotado. E você gosta dele tanto que nem se importa com o fato dele ter dito que a Joplin, pra ele, fazia mais barulho que música.

E sobre o fato dele ter uma barriguinha saliente, quem se importa? Ele tem aquele português impecável e faz coisas difíceis parecerem fáceis e engraçadas. Quem se importa com a Joplin depois disso? Ele falou baixinho no meu ouvido que vai trocar o "status" do facebook dele pra "relacionamento enrolado" só pra me ver erguer a sobrancelha esquerda com ares de discordância e me levou a um restaurante italiano muito longe, só pra eu beber um vinho que ele jurava ser divino. Outro dia, eu com minhas famosas doenças de tradição, disse a ele que morar junto era estranho e que por isso eu não ficaria muitos dias na casa dele. Ele juntou 3 camisas, 2 calças e uma infinidade de cuecas e ficou parado na minha porta com cara de criança que pede colo.

Me lembro de outra crise minha em que eu disse que todas as minhas amigas estavam casando e meus dedos permaneciam sem aliança. Ele me olhou meio torto, disse que nosso relacionamento não era um "seguidor de padrões" e que não gostava da igreja católica. Eu disse que não namoraríamos mais e fiquei 2 dias sem falar com ele. Voltei chorando e ele fez café com creme, só pra mim. Depois dele, eu passei a questionar as ideias tradicionais da sociedade. Passei a questionar as minhas ideias tradicionais. Mais importante, eu passei a gostar das costeletas dele, que antes eu considerava de gosto duvidoso.

Lembro que desde que nos conhecemos ele me chamou de um jeito que eu odiei. Falei pra não chamar e ele ignorou, chama até hoje. Todas as vezes que eu faço manha, que quero dengo, que ele faz as minhas vontades ou que eu cedo às vontades dele, é assim que ele me chama. Me olha, com aqueles olhos de menino, com inocência, leveza, coloca as mãos entre os meus cabelos, me abraça apertado e diz baixinho com aquela rouquidão melodiosa e inesquecível na voz _ “Vem cá 'pequena'”. E eu vou... Porque eu sou pequena dentro do imenso universo de felicidades infinitas que só ele me traz. Mas o “pequena” dele não é por isso. Esse é o carinho dele, é o “broto” que ele definiu pra mim.

Quando eu disse que ele teria apenas mais 2 anos pra me pedir em casamento ele resmungou _ “Pequena, você é decidida”! Eu sorri escondido e fiquei quieta. Ele se calou e 2 semanas depois me disse que faria uma obra no apartamento dele. Ficou lá em casa, por 2 meses. Uma manhã disparou _ “Fim da obra, vem comigo pra ver se gosta.” _ Ele escolheu um caminho diferente e quando finalmente chegamos perguntou se eu gostava do apartamento. Ambos sabíamos que era um lugar diferente, endereço diferente, espaço e tamanho diferentes. Sem entender eu disse que gostava. Ele me deu as chaves e falou _ “É sua, se quiser, pode ser nossa”. _ Havia vendido o apartamento pra morarmos juntos em um lugar maior. Enquanto eu delirava com vestidos de noiva pela internet, ele construía uma surpresa.

Morando juntos somos como antes, mas sem a saudade das noites de alguns dias úteis. Eu deixei a história de casamento, ele outro dia disse que tava sentindo falta das minhas “imposições matrimoniais”. Eu disse que mudaria o “status” do meu facebook pra “casada” e ele sorriu. Eu mudei, ele aceitou. Os amigos perguntaram pelo “churrasco”, fizemos nossa lua-de-mel. Antes de me contar ele perguntou sobre minhas férias. Agendamos juntos pra ficarmos mais tempo em casa. No avião eu disse que tava feliz e ele me irritou dizendo que talvez me fizesse ciúmes com as italianas. “Elas são fogosas, mas não são bestas!” _ eu retruquei. Ele sorriu! Parei de bisbilhotar vestidos na internet e ele se emocionou ao me ver chorando no casório da amiga de infância.

À noite, antes de dormir ele disse _ “se alguém te pedir em casamento, você vai me deixar?” _ Eu neguei, já era casada. Ele disse que encararia uma igreja por mim, eu respondi que dispensaria todas por ele. Me abraçou forte e pela primeira vez senti que teve medo. Resolvemos esse impasse com um juiz de paz e um quintal bonito. Me perguntaram como conseguíamos ficar juntos por tanto tempo, eu disse que ele tinha aquele olhar. Na vez dele, sorriu dizendo _ “Minha “pequena” é decidida!”

Pâmela Rodrigues
* Foto retirada de algum lugar que não lembro na internet. Ainda não consegui tirar a "bordinha", help me!!!!
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Há mais de 10 mil anos atrás (rs!) tive um blog de crônicas, poesias, textos livres, etc. Escrevia muita coisa e um dia decidi dividir com outras pessoas o que produzia. Foi uma época ótima! Eu fiz muitos amigos. Conheci pessoas ma-ra-vi-lho-sas! Algumas, ainda mantenho contato até hoje. Claro, com o tempo, o início da faculdade e todos os compromissos, o blog parou. Eu também parei de escrever.
Enfim, ano passado, escrevi uns textos e enviei, alguns deles, por e-mail para alguns amigos que fiz no blog. Outros permaneceram guardados...
Gosto de estar de volta ao "mundo blogueiro". O ritmo atual é bem diferente mas, ainda assim, como eu também mudei, gostei de voltar com um blog que possui foco e temática bem diferente da anterior. Como os desejos se desenvolvem em ritmos distintos e gosto de postar sempre algo já adiantado pra vocês, hoje vou deixar um texto que escrevi ano passado. 
Espero que gostem. 
Beijos,
Pâmela Rodrigues