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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CAIM

Um autor não lido, mesmo que bem ouvido e visto, ainda é desconhecido. Ao menos para mim... Ouço sobre José Saramago faz muito tempo, fui ao cinema ver a adaptação de "Ensaio sobre a cegueira" e, embora confesse ter ficado animada com o "resumo da ópera", não curti tanto a produção. No entanto, Saramago é um autor com muitas obras, além de ter ganho o Prêmio Camões em 1995 e o Nobel de literatura. Polêmico na escrita e, para alguns, também em fases da vida, ele faz parte de meu desejo listado (já falado aqui) em sair da zona de conforto literária. Como ele é um "Nobel", compõe meu pequeno desafio de ler, ao menos 1 livro, de cada um dos agraciados com o prêmio desde o ano de meu nascimento (1984). Saramago ganhou em 1998. Sua citação, feita pela organização do prêmio, diz _ "que, com parábolas sustentadas por imaginação, compaixão e ironia torna constantemente compreensível uma realidade fugidia (indefinível, ilusória)". Falecido em junho de 2010, aos 87 anos, deixou registrado, em suas obras, muita ousadia e coragem, com admiradores ou não.

Gosto desta foto onde ele parece estar "explicando" alguma coisa. (**).


“Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores.(…) Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(…)”
— Saramago, A Jangada de Pedra, 1986


Ao escolher, entre as obras, alguma para estreiar Saramago acabei me perdendo na leitura sobre a vida dele. Um artista ativo, envolvido em searas diversas, com a "língua solta" e pensamento livre e destemido. Não posso dizer que concordo com tudo que tenho lido sobre a "expressão" dele, mas respeito a firmeza de posicionamento. Além disso, falando apenas do Saramago escritor (considerando possível separar as coisas, claro!) acredito que tenha feito uma boa escolha para as primeiras leituras. Adquiri "Caim" e "O Evangelho segundo Jesus Cristo". Sim, o escritor (como muitos sabem) tinha divergências religiosas diversas e registrou muitas com seu poder de escrita. Não quero e não vou polemizar a temática, mesmo porque não é este o foco e nem o objetivo. Sou tão consciente e certa de minha fé em Deus e de minha opção religiosa que consigo discernir estas, das obras que já li a respeito e destas que citei. Por isso, falemos de "Caim" porque deixarei o outro livro para posts futuros.

CAIM
José Saramago
Companhia das Letras, 2009.
172 páginas

A escrita de Saramago, para mim, foi infalível. É diferente, envolvente, o uso da pontuação pouco comum, o vocabulário traz algumas novidades e eu devorei o livro em pequenos e rápidos goles. Não sei como pode ser possível que algumas pessoas leiam "Caim" e só consigam dizer coisas como _ "livro polêmico" _. Polêmico é para alguns e ainda assim não é o resumo do livro. Ele escolheu Caim como seu protagonista e fez com que ele percorresse passagens do antigo testamento da Bíblia (não é spoiler). O "criador" e a "criatura" travam diálogos, percorrem caminhos diversos e fazem parte das histórias de outros "personagens" bíblicos. Ele conjuga as histórias compondo uma narrativa literária irônica, questionadora e forte, pois uma espécie de batalha é iniciada entre o terreno e o "senhor". Não sei se agrada a maioria, mas certamente difícil é não ler.

“Estava claro, o senhor desdenhava de caim. Foi então que o verdadeiro carácter de abel veio ao de cima. Em lugar de se compadecer do desgosto do irmão eo consolá-lo, escarneceu dele, e, como se isto ainda fosse pouco, desatou a enaltecer a sua própria pessoa, proclamando-se, perante o atónito e desconcertado caim, como um favorito do senhor, como um eleito de deus.”

              — Saramago, Caim, 2009



O livro é pequeno, rápido e de temática bem conhecida de muitos de nós. Além disso a leitura é instigante e por isso seja fácil de ler, mesmo tendo a escrita diferente. Recomendo! Eu não chamaria de leitura do tipo muda-a-sua-vida-para-melhor-ou-pior, mas dá uma sacudida nos padrões. Dá um "empurrãozinho" na rotina. Faz a gente pensar em temas que vão além das páginas. Então me digam: como não amar um artista que vive de sua arte sem medo de acertar e agradar? Você pode não gostar da arte dele, pode não comprar, pode falar mal, mas não pode negar ser admirável sua coragem. Ao ler "Caim" o que vi foi algo muito além da rotineira "polêmica". Vi a coragem e o destemor de alguém que optou ser verdadeiro e autêntico.

Rápidas:

1. (**)Imagem retirada de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:JSJoseSaramago.jpg. As demais são de minha autoria;
2. O post não é uma resenha do livro.
3. Comprei os livros na Estante Virtual, um lugar onde você encontra livros seminovos e usados em ótima condição. Eles chegarão muuuito rápido, foram muuuuuuito baratos e vieram exatamente no estado descrito pelos vendedores. ADOREI!!!

*************

Resumo do Desejo:

Desejo nº 2: Ler, ao menos, 1 livro de cada um dos Nobeis de Literatura desde o ano do meu nascimento (1984);
Início: Novembro / 2012;
Classificação: Atividade Contínua;
Status: Em andamento;
Período: Até que alcance todos os autores (desde 1984), tendo como limite o tempo do projeto.
Quem já foi lido? Harold Pinter;

E vocês, já leram Saramago? Gostam dele? Espero que tenham curtido! Já conhecem a página do blog no facebook? AQUI!!!!
Ainda podem ser enviadas as fotos para a Galeria do Leitor!

Beijos,

Pâmela Rodrigues

domingo, 18 de novembro de 2012

Saindo da zona de conforto literária


Cresci com livros e música. Desde que aprendi a ler, sempre algum livro me acompanha. Na maioria das vezes alguns livros, porque gosto de ter várias leituras ao mesmo tempo. Mas, até onde lembro, a escolha dos livros que leio é feita pelos autores que já conheço e gosto; pelos autores que são recomendados por amigos e/ou conhecidos e pelas obras que, de alguma forma, me despertam a curiosidade. Em geral, eu fico com os escritores nacionais. Sou fã da literatura brasileira e de muitos escritores contemporâneos. Descobri, então, que se a leitura não preenche os "requisitos" involuntários que tenho ela não acontece. Ou seja, não saio de minha zona de conforto. Eu fico nela. Sem me permitir conhecer.

Não sei quando descobri ou atentei pra isso, mas há algum tempo fui dando conta que existem muitos autores que conheço por nome, não pela leitura e, não fossem as "barreiras" do "não faz meu estilo" eu já os teria lido faz tempo. Por isso também incluí na lista um desejo que conseguisse me retirar desta área conhecida, que me fizesse ler e descobrir literaturas de estilos diferentes. Já li em lugares distintos pessoas adotando como objetivo ler algumas obras dos vencedores do prêmio Nobel de Literatura. Quando iniciei o Projeto 101, encontrei na lista da Letícia este desejo e resolvi aderi-lo e adaptá-lo à minha realidade. O desejo é _ "Ler, ao menos, 1 livro de cada um dos Nobéis de Literatura desde 1984 (ano do meu nascimento)". Encontrar a lista dos vencedores é bem fácil. Além dela, há o site oficial do prêmio, onde podem ser consultados todos os vencedores, suas obras, referências, etc. 

Pensando no número de livros o desafio não fica difícil. Talvez o maior problema seja com os idiomas, mas acredito que existam muitas obras traduzidas, ao menos, para o inglês. Isso já facilita um pouco a minha vida. Rs...

Eu comecei a minha lista pelo vencedor de 2005 _ Harold Pinter. Na verdade, foi o acaso que nos uniu. Eu precisava ler um livro de Harold Pinter e, quando olhei a lista dos ganhadores do Nobel vi que aquele nome era bem presente. Quando peguei o livro novamente, lá o primeiro passo para começar o desejo. Faz um tempo que comecei a ler este livro, mas me motivei a terminar também pela lista, confesso. O livro é pequeno e não exige um inglês muito profundo. É acessível.

The Birthday Party (A festa de aniversário) é uma peça de tatro escrita por Pinter em 1957. Não é uma leitura para fazer quem está acostumado com a literatura brasileira (tão cheia de detalhes, misturas, entrelinhas...) morrer de amores a primeira vista. É preciso entender o estilo de Pinter. Quando a li a primeira vez me convenci que precisava ler de novo para entender melhor. Eu nem quis gostar, eu só queria entender. A segunda leitura me fez caminhar e entrar pela porta que Pinter abre a todos os que entram em contato com ele. É um escritor que deixa perguntas sem resposta sobre seus personagense sobre alguns diálogos, mas não deixa sua história sem final. A peça, simples, é um convite para que o medo seja deixado pra trás. É um desafio para que a coragem consiga espaço na história de quem vive de rotina e mesmice. O livro veio na medida certa para aquilo que havia me proposto. É um livro pequeno, de um autor que possui uma maneira interessante de contar suas histórias (muito influenciado pelo Teatro do Absurdo europeu). Pretendo ler outras obras de Harold Pinter e deixo minha recomendação desta peça.

* Na hora da dúvida um bom dicionário sempre ajuda, né?!?!!? Rs....

Quando Pinter ganhou o Nobel, a citação / justificativa dada pela academia para ele foi "que em suas peças descobre o precipício sob o murmúrio do cotidiano e força a entrada nos quartos escuros da opressão". Parece pesado, eu sei, mas também é libertador e ousado.

Espero que gostem, 
Beijo,
Pâmela Rodrigues

* As fotos são de minha autoria;
** Alguém sabe como tiro estas borda das imagens?????

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Resumo do Desejo

Desejo nº 2: Ler, ao menos, 1 livro de cada um dos Nobéis de Literatura desde 1984 (ano do meu nascimento);
Início: Comecei a ler este livro antes de fazer minha lista. Não sei ao certo, mas acho que foi em setembro de 2012. Terminei depois de que a lista já estava pronta, em novembro de 2012. Como ler este livro foi uma coincidência com a lista, considerarei como início novembro de 2012;
Classificação: Atividade Contínua;
Status: Em andamento;
Período: Até que a leitura alcance todos os autores do Nobel de Literatura (desde 1984), tendo como limite o tempo do projeto.

Quer saber como o blog começou? Clique AQUI!!!